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Viva Niède Guidon, mulher que escavou o tempo

  • junho 4, 2025

Hoje nos despedimos de Niède Guidon, que partiu aos 92 anos, deixando um legado imenso.
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Ela foi daquelas que parecem ter vindo com um chamado claro. Como se o próprio tempo precisasse dela para registrar sua memória.
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Arqueóloga. Brasileira. Corajosa. Niède nasceu em Jaú, em 1933. Estudou História, foi pra Paris, se especializou em arqueologia. Mas foi no sertão do Piauí que ela escolheu fincar os pés e o coração.
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Ali, na Serra da Capivara, dedicou a vida inteira a escavar não só a terra, mas também as histórias que quase ficaram esquecidas. E o que ela encontrou mudou tudo o que o mundo sabia sobre a chegada dos primeiros humanos às Américas, com a sua teoria de que a vinda ocorreu muito antes e por um caminho diferente do Estreito de Bering.
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Criou museus, fundações, projetos com o povo e para o povo. Lutou pela ciência, mas sem nunca tirar os olhos da cultura e da comunidade.
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Ganhou homenagens lindas:
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Um espetáculo da Ópera da Serra da Capivara. Onde retratou diversos momentos, da infância a fase adulta.
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Recebeu a cadeira de número 24 na Academia Piauiense de Letras (APL).
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Teve seu nome em uma nova espécie de ave catalogada e que vive no entorno do Parque Serra da Capivara, Sakesphoroides niedeguidonae. Está na classe das chocas-do-nordeste, mas pesquisadores descobriram as aves que tornaram-se duas espécies distintas.
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Recebeu a tocha olímpica do ex-jogador de futebol Rai, nos Jogos de Paris 2024.
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Também em 2024, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), pelos seus mais de 50 anos de trabalho à frente das pesquisas arqueológicas, e da importante descoberta de uma das maiores ao encontrar provas que abriram portas para a teoria sobre a chegada do homem à América.
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Trilhou o seu caminho e fez questão de facilitar para outras mulheres. Todos os postos de guarita do Parque da Serra da Capivara foram ocupadas por mulheres. E disse que elas precisam ser livres economicamente e saber que são capazes.
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Niède ficará para sempre na memória. Eu deixo meu VIVA. Vem junto?

 

 

 

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