Hoje nos despedimos de Niède Guidon, que partiu aos 92 anos, deixando um legado imenso.
Ela foi daquelas que parecem ter vindo com um chamado claro. Como se o próprio tempo precisasse dela para registrar sua memória.
Arqueóloga. Brasileira. Corajosa. Niède nasceu em Jaú, em 1933. Estudou História, foi pra Paris, se especializou em arqueologia. Mas foi no sertão do Piauí que ela escolheu fincar os pés e o coração.
Ali, na Serra da Capivara, dedicou a vida inteira a escavar não só a terra, mas também as histórias que quase ficaram esquecidas. E o que ela encontrou mudou tudo o que o mundo sabia sobre a chegada dos primeiros humanos às Américas, com a sua teoria de que a vinda ocorreu muito antes e por um caminho diferente do Estreito de Bering.
Criou museus, fundações, projetos com o povo e para o povo. Lutou pela ciência, mas sem nunca tirar os olhos da cultura e da comunidade.
Ganhou homenagens lindas:
Um espetáculo da Ópera da Serra da Capivara. Onde retratou diversos momentos, da infância a fase adulta.
Recebeu a cadeira de número 24 na Academia Piauiense de Letras (APL).
Teve seu nome em uma nova espécie de ave catalogada e que vive no entorno do Parque Serra da Capivara, Sakesphoroides niedeguidonae. Está na classe das chocas-do-nordeste, mas pesquisadores descobriram as aves que tornaram-se duas espécies distintas.
Recebeu a tocha olímpica do ex-jogador de futebol Rai, nos Jogos de Paris 2024.
Também em 2024, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), pelos seus mais de 50 anos de trabalho à frente das pesquisas arqueológicas, e da importante descoberta de uma das maiores ao encontrar provas que abriram portas para a teoria sobre a chegada do homem à América.
Trilhou o seu caminho e fez questão de facilitar para outras mulheres. Todos os postos de guarita do Parque da Serra da Capivara foram ocupadas por mulheres. E disse que elas precisam ser livres economicamente e saber que são capazes.
Niède ficará para sempre na memória. Eu deixo meu VIVA. Vem junto?
