Vem... que tem história merecedora de muitos VIVAS por aqui! É sobre Pinin Brambilla Barcilon (1925- 2020), a italiana responsável pela restauração da obra – prima “A Santa Ceia”, 1498, de Leonardo da Vinci.
Ela tinha 52 anos quando começou a jornada mais importante de sua carreia como restauradora e também o seu maior legado para a história da humanidade. Tinha 74 anos quando entregou a obra totalmente restaurada.
Ela contou a BBC que a pintura estava soterrada por camadas de tinta, gesso, intervenções quando a viu pela primeira vez. Era quase impossível acreditar que ali ainda existia Leonardo Da Vinci.
Mas existia. E Pinin se entregou com paixão a um processo que duraria 22 anos. Nem só o preciosismo do trabalho tomou esse tempo todo, a artista foi interrompida por visitas de nobres e chefes de estado, por burocracias.
Em entrevistas, ela relatou ter sentido tristeza ao terminar a restauração. Toda obra que ela restaurava, dizia, deixava algo dentro dela. E tirava algo também. “É como perder uma parte de si.”
Não sei o que Pinin perdeu. Mas sei que o marido perdeu ela. Foram décadas de trabalho minucioso e solitário, renúncias familiares, fins de semana dentro do convento, olhos grudados em traços quase apagados.
Seu marido, em determinado momento, disse: “Já é o bastante para A Última Ceia. Quero viver um pouco.” Mas ela estava tomada. Era mais do que um trabalho — era uma comunhão.
Eu lamento pelo marido. Agradeço pela “Santa Ceia”. E deixo meu viva póstumo para ela, Pinin Brambilla. Vem junto?
