Trago três momentos dela, que dizem muito.
Filha de Gilberto Gil, nasceu com a música nas veias. Mas foi muito além do legado familiar: trilhou seu próprio caminho, com coragem, irreverência e uma presença que abria portas — e mentes.
No primeiro vídeo, uma entrevista de 2002, aos 27 anos, Preta fala sobre coragem, escolhas e felicidade: “Acho que a vida é uma só. A gente tá aqui pra errar nessa, pra arriscar nessa… Eu falei: ‘vou tentar ser feliz. Isso não tá mais me trazendo felicidade’. E fui.”
Recomeçou quando foi preciso. Escolheu o próprio bem-estar, mesmo diante do medo. E nos ensinou, com generosidade, que buscar a própria felicidade é um ato de coragem.
Em 2003, ao lançar seu primeiro disco, Preta já mostrava a que vinha — quebrando padrões, falando de amor e de liberdade do seu jeito, com corpo, alma e coragem. Cantora, atriz, apresentadora, empresária, mãe, ativista… e muito mais.
No segundo vídeo, de abril, Preta faz uma participação surpresa no show do pai, em São Paulo. Juntos, cantam “Drão”, composta por Gilberto para a mãe de Preta durante a separação do casal. Foi sua última apresentação nos palcos.
No terceiro vídeo (um recorte de sua entrevista para o programa Roda Viva, que eu dividi em duas partes), ela fala sobre sua experiência de quase morte, das noites difíceis no CTI e dos conselhos do pai para aceitar a morte, que talvez estivesse chegando. A convivência com o câncer, nos últimos anos, foi mais uma prova da sua força e generosidade. Compartilhou vulnerabilidades com dignidade — e nunca deixou de sorrir, de brilhar.
Preta se despediu poucos dias antes de completar 51 anos, mas seu legado permanece. Em cada mulher que se olha no espelho com mais amor. Em cada pessoa que ousa ser quem é.
VIVA, Preta Gil!