Por que cutucar essas feridas na frente de todo mundo? Ela não está só cutucando, está levantando o curativo para que todos vejam o que precisa de cuidado e cura. No caso de Pretty Baby as feridas são: erotização infantil, a redução do valor da mulher à uma aparência dentro de um padrão, a ideia de que o desejo masculino define o valor de uma mulher. É bem interessante. Especialmente para quem cresceu com essas ideias completamente tortas como referencial e exibidas no cinema, nas revistas, TV, na literatura e na vida como ela é.
Tudo isso está na primeira parte do documentário — que mostra os atuais 50+ da atriz. Fica claro que a idade fez muito bem a Brooke Shields. E a minha afirmação não tem a ver com estética, embora ela seja linda. Se aos 40 anos Brooke escreveu o livro “Depois Do Parto, A Dor”, aos 50+ nos faz refletir sobre como chegamos até aqui e nos chama para usar (cada vez mais) a nossa própria voz.
Viva a Brooke! Viva a coroa!
