Quando tentei lembrar qual foi o livro que me tornou leitora, percebi que não foi apenas um.
Tive fases. E, por sorte, fui melhorando o repertório e ampliando os horizontes ao longo do caminho.
Na adolescência, vivi a fase dos livrinhos Sabrina, Júlia e afins. Um estilo literário duvidoso, sim, mas extremamente envolvente. Algo na linha de Cinquenta Tons de Cinza. Prendia, distraía e cumpria seu papel naquele momento.
Agatha Christie veio logo depois e foi presença constante. Difícil largar. Histórias que me davam exatamente o que eu precisava: descanso, diversão e o prazer de mergulhar em outro mundo.
Com Érico Veríssimo foi diferente. Até hoje lembro das sensações. A força da narrativa, os personagens, o Brasil que aparece ali inteiro, vivo, pulsante. Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo me acompanharam por um bom tempo. Eu dormia e acordava com eles por perto. Amei.
Agora, celebrando os 120 anos do autor, a @companhiadasletras relançou O Tempo e o Vento e também uma edição especial de Ana Terra. Incidente em Antares ganhou versão em quadrinhos. Todos lindos!
Teve ainda A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo Ribeiro. Um livro duro, intenso, desconfortável até, que me mostrou a potência da literatura quando ela toca nas feridas certas.
No fim, não virei leitora por causa de um livro só. Virei leitora pelos encontros, pelas fases e pelas palavras que chegaram quando eu estava pronta.
Às vezes a cabeça anda cheia demais, e isso atrapalha a leitura. Felizmente, não estou vivendo um desses momentos 🙌
E você? Qual foi o livro, ou os livros, que te colocaram nesse caminho? Me conta?