Hoje o cinema perdeu uma de suas vozes mais nobres: Robert Redford partiu aos 89 anos. O gato dos gatos hollywoodianos, um homem de postura e atitudes que sempre admirei.
Do charme rebelde de Butch Cassidy (1969), passando pelo jogo de inteligência de Golpe de Mestre (1973), até o peso político de Todos os Homens do Presidente (1976) — Redford foi muito mais do que uma carinha bonita.
E, para mim, há algo ainda mais especial em Nosso Amor de Ontem (The Way We Were) e Entre Dois Amores (Out of Africa): aquela maneira tocante e dolorosa com que ele viveu o amor entrelaçado à memória, às escolhas que não voltam. São dois filmes que amo — e, cada vez que penso neles, vejo como Robert sabia dar voz ao silêncio, ao não-dito.
Nos bastidores, foi — e sempre será — gigante: Oscar de Melhor Diretor por Gente como a Gente (1980), um Oscar Honorário em 2002 — reconhecimento justo, pois ele inspirou tantos artistas. E sua maior obra talvez seja o Instituto Sundance, que abriu portas para novas vozes, para quem queria contar histórias fora do eixo comercial.
Redford também foi ativista com coração: defensor de parques nacionais, da preservação ambiental e de lutas silenciosas, mas firmes, contra o descaso — sem buscar holofotes, mas usando sua presença para dar visibilidade às causas que importam.
Robert Redford mostrou que é possível ser estrela e, ao mesmo tempo, semear legado; que fama não precisa apagar responsabilidade.
Deixo meu VIVA para ele. Para tudo o que me fez sentir. Para tudo o que nos deixa para pensar. E para continuar acreditando que há beleza em insistir no afeto, na arte, no cuidado.
Robert Redford, obrigado por tudo.
E você, qual trabalho dele mais te encantou? Me conta?